POLÍTICA
Cacique mato-grossense diz que irá cobrar de Lula “promessas ambientais”
Líder indígena da etnia Panará e Kayapó, o cacique mato-grossense Raoni Metuktire, 92, afirmou que irá cobrar do presidente Lula (PT) cumprimento das promessas relacionadas às questões ambientes que impactam diretamente na vida dos povos originários. Ele espera a visita de Lula no começo de abril, mas a data não foi confirmada até o momento pelo governo.
Raoni pontuou, conforme divugaldo pelo portal Folha de São Paulo, que entre seus objetivos está pedir ao chefe do Planalto que desista da exploração de petróleo na margem equatorial, área marítima próxima da costa amazônica, o que gera críticas dos ambientalistas. O líder indígena também irá recordar o presidente da promessa de avançar na demarcação das terras destinadas a assegurar a sobrevivência dos povos considerados chave para salvaguardar a maior floresta tropical do planeta.
“Já conversamos pessoalmente quando ele assumiu. Pedi para ele que não repetisse o que fez no passado, quando construiu a barragem de Belo Monte e causou forte impacto ambiental no Pará. Agora Lula virá à minha terra e trataremos da demarcação dos territórios indígenas dos nossos parentes que ainda não a obtiveram. Eu vou continuar apoiando Lula para garantir o bem viver dos nossos parentes”, disse.
Raoni fez questão de lembrar que participou da cerimônia de posse do petista e que ambos já haviam conversado sobre o assunto. Ele é reconhecido mundialmente pela luta em prol dos povos originários e defesa de pautas ambientais. Embora tenha se mudado para a cidade de Peixoto de Azevedo (MT) para cuidar da saúde, ele sempre viveu em Metuktire, uma aldeia de 400 habitantes às margens do rio Xingu.
O cacique irá participar da COP30, cúpula climática da ONU (Organizações das Nações Unidas) que será realizada em novembro em Belém para realizar sua defesa pelos povos originários. No ano passado, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu Raoni em seu gabinete para tratar de demarcação de terras indígenas e conflitos fundiários.
Na reunião, o líder entregou ao ministro um documento do Instituto Raoni em que se manifestava contra a tese do marco temporal e pedia apoio do STF na pacificação de conflitos fundiários. Ele também reforçou a necessidade de preservação do meio ambiente e dos direitos indígenas.
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