POLÍTICA
Presidente da Frente Parlamentar Evangélica minimiza racha
O presidente da Frente Parlamentar Evangélica na Câmara dos Deputados, Gilberto Nascimento (PSD-SP), minimizou o racha na disputa pela presidência da bancada, realizada em 25 de fevereiro de 2025.
Em entrevista ao Poder360, Nascimento afirmou que a disputa inédita pela presidência é “natural” do momento que o país enfrenta. “O momento político está tensionado, infelizmente nós estamos vivendo um verdadeiro Fla-Flu”, disse.
Nascimento admitiu que o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ajudou na sua vitória, mas afirmou que conquistou o cargo por sua trajetória política, por ter feito parte da fundação da frente e pelos diálogos que estabeleceu.
Bolsonaro ligou para aliados, no dia da eleição, para votarem em Nascimento. Ele recebeu 117 votos e Otoni de Paula (MDB-RJ), 61. Ele ficará no cargo pelos próximos 2 anos.
Otoni de Paula foi apoiado pelo ex-presidente da frente, Silas Câmara (Republicanos-AM), mas sofreu resistência dos deputados da ala bolsonarista por ter elogiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro de 2024.
Naquele mesmo mês, o congressista havia afirmado ser crítico ao petista. No entanto, durante a cerimônia de sanção do Dia da Música Gospel, declarou que Deus usou Lula para “abençoar o povo de Deus”. A aliados, entretanto, Otoni nega qualquer preferência partidária e usou como slogan de campanha a frase “Nossa ideologia é Cristo”.
Assista (5min19s):
Mas Nascimento disse que não considera que a bancada está rachada. “Isso é do processo democrático”, afirmou. O deputado contou que chamou Otoni de Paula para falar e que tudo foi feito com “comunhão” e “tranquilidade”.
Segundo o deputado, há entre os diretores empossados para sua gestão pessoas que votaram no emedebista, o que seria um sinal de que o clima está ameno.
Nascimento disse que não falou com Bolsonaro antes da eleição, mas que depois o ex-presidente ligou para ele para dar os parabéns pela vitória. “O apoio do ex-presidente Bolsonaro foi muito importante, mas não que eu, naquele momento, tivesse qualquer radicalismo ou qualquer coisa ante A ou B. Não tive essa postura”, declarou.
Para ele, no entanto, a disputa pela presidência da frente deve se tornar um padrão. Até então, os presidentes eram escolhidos por aclamação. “É natural isso. Alguns candidatos aparecem e eu acho que a coisa mais democrática possível é o voto. É justo com mais de 200 deputados e senadores. É muito natural que essa coisa da democracia também venha a existir dentro da frente”, disse.
A bancada evangélica é uma das mais poderosas do Congresso, com 244 integrantes. Embora reúna congressistas de partidos como PT e PL, é majoritariamente conservadora.
A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional atualmente tem 219 deputados federais e 25 senadores. Composta por 15 partidos, só 27 congressistas podem ser contabilizados como aliados ao governo de Lula.
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