AGRICULTURA

Mel produzido no Sertão do Ceará ganha Indicação Geográfica

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O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) publicou, na Revista da Propriedade Industrial, na última terça-feira (11), o reconhecimento de indicação geográfica (IG), na modalidade indicação de procedência (IP), para a região do Sertão dos Inhamuns, no Ceará, como produtora do mel de aroeira.

Esse tipo de mel é produzido no período de estiagem, quando há escassez de flores disponíveis para que as abelhas se alimentem e possam produzir seu mel.

Como a estiagem não afeta a florada da árvore de aroeira, nesse período, suas flores permanecem disponíveis às abelhas, o que permite a produção de um mel monofloral mais puro, com maior consistência quando comparada com outras floradas.

O produto possui coloração âmbar mais escurecida, com elevados níveis de compostos fenólicos, sendo um mel que não cristaliza, conforme informações do Inpi.

Segundo o Censo Agropecuário de 2017, 94% dos estabelecimentos com apicultura no Nordeste estão no Semiárido, mais especificamente no Piauí, Ceará e na Bahia, com destaque para os Inhamuns.

De acordo com dados do IBGE, em 2019, o Ceará atingiu 16,99% da produção de mel do país, sendo grande parte dessa produção originária da região com a nova IG.

História do mel dos Inhamuns

Historicamente, o trabalho com o mel na região data, pelo menos, da década de 1980. No entanto, há relatos que apontam para a produção antes mesmo desse período, na época em que o mel de abelha era o adoçante que os sertanejos dos Inhamuns dispunham.

A partir de 2001, o trabalho com as abelhas africanizadas foi estabelecido como uma atividade econômica fundamental para toda a região. Nessa época, a apicultura trazia o avanço que viria a se desdobrar nos anos seguintes, por meio de investimentos em programas que alavancaram a produção de mel.

Esse desenvolvimento estimulou a expansão da venda do produto não apenas localmente, mas também nas regiões próximas, em vários estados do Brasil e no exterior.

No mercado nacional, as regiões Sul e Sudeste são os principais destinos do mel. Já no exterior, os embarques mais frequentes são para o mercado europeu, com exportações para países como Suécia, Alemanha e França.

Com essa concessão, o Inpi atinge 140 IGs reconhecidas no Brasil, sendo 101 IPs (todas nacionais) e 39 denominações de origem (DOs), com 29 nacionais e 10 estrangeiras.



Fonte: Canal Rural

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