JUDICIARIO

Empresa acusada de dar calote em formandos tem pedido de recuperação judicial negado

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Conteúdo/ODOC – O juiz Márcia Aparecido Guedes, da 1ª Vara Cível de Cuiabá, negou pedido de recuperação judicial da empresa Imagem Eventos, que suspendeu a realização de diversas formaturas já pagas, deixando os acadêmicos sem respostas sobre reembolsos. A decisão foi publicada na noite desta segunda-feira (3).

No pedido, a empresa alegou que atua a mais de 25 anos no mercado de eventos e formaturas acadêmicas em diversas regiões do país, mas desde a pandemia da Covid-19, período em que a demanda por eventos caiu drasticamente, começou a enfrentar dificuldades financeiras.

Na decisão, porém, o magistrado destacou que a empresa não apresentou as documentações necessárias para a solicitação da recuperação judicial, a exemplo de todos os balanços patrimoniais, relatório de passivos fiscais, certidões, relação de bens particulares dos sócios, extratos atualizados das contas bancárias, entre outros.

Além disso, conforme o juiz, a empresa declarou um valor de causa de apenas R$ 1.500, completamente desproporcional à sua real situação financeira, caracterizada por um passivo milionário.

O magistrado ainda ressaltou a contradição entre o pedido de recuperação judicial e o comportamento da empresa, que desativou suas redes sociais, suspendeu seu site e interrompeu o atendimento a clientes e fornecedores.

Para o juiz, “ a empresa não apresenta a mínima aparência de que pretende a continuação de suas atividades”.

“Diante do exposto, resta evidente que a presente ação não preenche o mínimo dos requisitos essenciais para o deferimento do processamento da recuperação judicial e não encontra resquícios de realidade com o noticiado na inicial, sendo incongruente o deferimento do processamento, perante a latente inocuidade da peça exordial, compelindo este juízo a reconhecer a falta de interesse processual da parte requerente e ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo”, escreveu o magistrado.

Calote é investigado

A Polícia Civil de Mato Grosso já registrou mais de 80 boletins de ocorrência contra os donos da empresa, identificados como Antônia Alzira Alves do Nascimento e seu filho, Márcio Nascimento.

De acordo com o delegado Rogério da Silva Ferreira, titular da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), eles estão sendo procurados para prestar esclarecimentos.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, a Imagem Eventos negou que os sócios tenham deixado o país, mas não esclareceu se os empresários irão prestar depoimento às autoridades.

A empresa justificou que Márcio Nascimento deixou Cuiabá devido a ameaças de morte.



Fonte: O Documento

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