CIDADES

Jogo de empurra e falhas em gestão travaram andamento do BRT, diz Consórcio

Published

on


Após a declaração do governador Mauro Mendes (União Brasil), que classificou como “inadmissível” a lentidão das obras do BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) em Cuiabá e prometeu que “o bicho vai pegar”, o Consórcio BRT afirmou que o jogo de empurra entre os políticos e os problemas de gestão dos órgãos públicos travaram o andamento dos trabalhos. O Consórcio listou uma série de empecilhos que comprometeu as obras.

“Problemas com o edital de licitação e anteprojeto desenvolvido pelo Estado, mudanças frequentes no traçado e disputas políticas impediram a concretização dos trabalhos no prazo previsto em contrato, que era de outubro de 2024”, explicou o Consórcio por meio de nota.

Reprodução/Governo de MT

Simula��o do BRT

De acordo com as empresas integrantes do Consórcio, um dos problemas foi a suspensão das obras nas avenidas Couto Magalhães e Senador Filinto Müller, após mobilização dos comerciantes e de políticos locais, que levou à alteração do trajeto e exigiu desmobilização dos trabalhadores e novos estudos para rever o traçado. Dessa forma, as empresas precisaram readequar também as obras do Terminal André Maggi para sua devida conexão.

Além disso, o Consórcio citou que o anteprojeto do Estado que contemplava as estações não atendia às normas técnicas, pois não trazia o conforto térmico exigido. “Diversos meses se passaram até que o Estado determinasse que as obras fossem feitas assim mesmo. Além disso, o anteprojeto trazia erro na posição das portas automáticas e das aberturas de acesso das estações — que não coincidem com a posição das portas dos ônibus, o que traz riscos à segurança dos usuários. O Estado não tomou providências para solucionar o erro, nem permitiu que o consórcio buscasse alternativas, pois sequer definiu o tipo de veículo que será usado no BRT”, criticou.

O projeto também apresentou erros nos viadutos e na ponte do Rio Coxipó. Ele previa a utilização dos viadutos Júlio Muller, UFMT, MT-040 e do aeroporto, projetados e construídos para o tráfego de VLTs, sem qualquer adaptação ou intervenção, o que é inadequado para o uso dos BRTs. Também previa a remoção da passarela metálica de pedestres, mesmo com restrição administrativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo o Consórcio, essas duas questões exigiram estudos para avaliação e adequação do projeto estrutural, tendo sido necessário alterar a posição da ponte e de toda a geometria do acesso, impactando nas frentes de obras.

Geovanna Torquato/Rdnews

 obras do brt em v�rzea grande perto do aeroporto

O Centro de Controle Operacional (CCO) também teve alterações no meio do caminho. O primeiro projeto previa a utilização do Centro remanescente das obras do VLT. No entanto, após a celebração do contrato de obras do BRT, o Estado solicitou a alteração do local para a região central de Cuiabá, na Estação Porto, em razão de embaraços jurídicos do contrato anterior, e decidiu mudar os pontos de recarga de ônibus para os terminais de CPA, Coxipó e Várzea Grande. Dessa forma, o Consórcio precisou apresentar um novo projeto para o CCO.

As empresas listaram também o problema no canal de drenagem da Avenida Prainha, no Centro da Capital. “Outro problema do anteprojeto foi não ter contemplado a macrodrenagem da Prainha, historicamente afetada por enchentes, como a deste fim de semana – e o Estado não contratou o serviço, embora isso fosse imprescindível para o BRT, uma vez que este, sendo elétrico, não pode circular em vias com lâmina d’água, o que implicou na paralisação das obras no local”, acrescentaram.

Por fim, também foram citados problemas com licenças ambientais. Segundo o Consórcio, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) está atrasando a emissão das licenças e o trecho do Coxipó, por exemplo, teve a licença emitida apenas na semana passada, mais de 800 dias após o início do contrato.

“Não bastasse isso, as disputas políticas entre o Governo do Estado e o município de Cuiabá prejudicaram ainda mais os trabalhos. O quadro foi alterado apenas em 28 de janeiro de 2024, quando a Justiça determinou que as autoridades de Cuiabá se abstivessem de criar obstáculos à implantação do projeto. Como consequência, entre outubro de 2022, data de início das obras, e 28 de janeiro de 2024, o consórcio esteve impedido de executar 84,3% do escopo contratado”, pontuou.

Sinfra/MT

Obras de pista de concreto do BRT na Avenida do CPA em Cuiab�

Entre janeiro e outubro de 2024, data original de conclusão dos serviços, houve impedimento de executar 59% do escopo contratado, segundo as empresas, o que teria levado à extensão do prazo de finalização das obras estendido até 9 de novembro de 2025, mais de um ano após o que foi previsto.

“Este jogo de empurra e os problemas de gestão por parte dos órgãos públicos comprometeram o andamento adequado dos trabalhos, ocasionando paralisação das obras, desmobilização de trabalhadores, realização de novos estudos e revisão dos projetos. E se o Estado cumpriu com suas obrigações contratuais financeiras, os sucessivos problemas também trouxeram um excessivo prejuízo para o consórcio, que foi assumido pelas empresas, em um ônus financeiro insustentável, o que compromete a sequência das atividades”, criticou o Consórcio.

As empresas afirmaram que, apesar dessas dificuldades, estão abertas a um diálogo com o Governo do Estado, para encontrar alternativas para preservar a viabilidade do projeto.



Comentários
Continue Reading
Advertisement Enter ad code here

MATO GROSSO

Advertisement Enter ad code here

POLÍCIA

Advertisement Enter ad code here

CIDADES

Advertisement Enter ad code here

POLÍTICA

Advertisement Enter ad code here

SAÚDE

As mais lidas da semana