FIQUEI SABENDO
Após busca da PF, deputado Faissal nega ligação com esquema e diz ter sido contratado como advogado
O deputado estadual Faissal Calil (PL) se manifestou nesta segunda-feira (15) sobre a Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na última semana e que cumpriu mandado de busca e apreensão em sua residência. Após ter acesso ao conteúdo das investigações, o parlamentar afirmou que sua participação no caso citado ocorreu apenas no exercício da advocacia, em uma ação envolvendo disputa por terras.
A investigação aponta Faissal como um dos supostos operadores do desembargador afastado Dirceu dos Santos, também alvo da operação, em um suposto esquema de venda de decisões judiciais. O deputado, porém, negou qualquer irregularidade e afirmou que atuou como advogado especialista em direito agrário.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Faissal destacou que exerce a profissão há 25 anos e possui centenas de processos agrários em andamento no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Essa é a minha profissão”, declarou.
De acordo com o parlamentar, a empresa envolvida na disputa judicial o contratou em janeiro de 2023 depois que uma propriedade rural foi invadida em duas ocasiões. Ele explicou que sua atuação foi voltada à defesa do cliente por meio de ações de reintegração de posse.
“Meu cliente me procurou como advogado especialista em direito agrário e não como assessor do desembargador Dirceu”, afirmou mostrando que o valor recebido está declarado.
Faissal relatou que seu cliente possui decisões favoráveis, além de manifestações do Ministério Público e do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) contrárias aos invasores. Segundo ele, apesar disso, a área permaneceu ocupada e foram registrados crimes ambientais no local, resultando em multas de R$ 9,6 milhões aplicadas ao seu cliente por ele constar como proprietário da terra.
O deputado também explicou que o processo foi encaminhado a uma das câmaras de Direito Privado do TJMT, onde os magistrados decidiram de forma unânime a favor do seu cliente. Conforme Faissal, a outra parte apresentou diversos recursos, mas todos foram rejeitados.
“Os invasores recorreram e perderam todas. Existem nove acórdãos defendendo a tese do meu cliente. Não existe uma decisão monocrática”, argumentou.
“Esse caso já foi alvo de reclamação disciplinar no CNJ e foi arquivado”, complementou.
Faissal ainda comentou sobre mensagens trocadas com o advogado Roberto Zampieri, citado nas investigações como um lobista com influência no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O parlamentar negou que as conversas tenham relação com o processo investigado na Operação Gemini e explicou que o diálogo envolvia outro conflito agrário, no qual era discutida uma possível composição entre as partes.
“Infelizmente não houve acordo e o processo foi interposto em 2024, onde eu figurou como advogado da parte ré”, relatou.
O deputado também criticou a forma como alguns pontos da operação repercutiram, principalmente em relação à divulgação da apreensão de objetos de luxo em sua casa.
“Causa estranheza vincular meu nome a Rolex, fuzil, algo que não fiz, justamente às vésperas de uma eleição”, declarou.
OPERAÇÃO GEMINI
A Operação Gemini apura suspeitas de irregularidades envolvendo decisões judiciais no Judiciário de Mato Grosso e a possível atuação de intermediários em processos. A investigação também mira suposto esquema de lavagem de dinheiro em benefício do desembargador afastado Dirceu dos Santos.
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