AGRICULTURA
Entidades discutem seguro rural e novas fontes de crédito para o agro
A ampliação do seguro rural e a diversificação das fontes de financiamento estarão no centro do debate promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). No encontro “Diálogo Seguros, Crédito e Agronegócio: proteção rural e novos instrumentos de financiamento”, marcado para o próximo dia 8 de abril, em Brasília.
O evento ocorre em um momento de pressão crescente sobre o crédito no campo. Com restrições fiscais e aumento do custo do dinheiro, o Plano Safra segue como principal fonte de financiamento, mas enfrenta limitações para atender à demanda de um setor que cresce em escala e complexidade.
Ao mesmo tempo, o risco da atividade aumentou. Eventos climáticos mais frequentes e perdas mais recorrentes ampliam a incerteza da produção, impactando diretamente o custo do crédito. Nesse cenário, o seguro rural passa a ser peça-chave para reduzir risco e destravar financiamento. Estimativas do setor indicam que cerca de 20% da área plantada no País conta com algum tipo de seguro. O volume de prêmios gira em torno de R$ 13 bilhões a R$ 15 bilhões por ano — valor ainda reduzido diante da dimensão da produção agrícola brasileira.
A avaliação de agentes financeiros é direta: sem ampliar a proteção, o crédito tende a ficar mais caro e mais seletivo. O risco elevado é incorporado às taxas e limita o acesso, principalmente para produtores de menor escala.
Outro eixo do debate é a expansão de instrumentos privados de financiamento. Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) vêm ganhando espaço como alternativas ao crédito subsidiado, mas ainda enfrentam desafios de escala e integração com mecanismos de mitigação de risco.
A proposta em discussão é aproximar crédito e seguro em uma mesma estrutura. Na prática, isso significa operações em que o financiamento já venha associado a mecanismos de proteção, reduzindo a exposição do financiador e ampliando o acesso ao produtor.
Também entra na agenda a necessidade de maior coordenação entre políticas públicas e mercado. A fragmentação entre crédito oficial, seguro rural e instrumentos privados é apontada como um dos principais entraves para ampliar escala e eficiência.
Para o produtor, o avanço dessas soluções tende a impactar diretamente o custo e a disponibilidade de recursos. Em um cenário de margens pressionadas e maior volatilidade, acesso a crédito e proteção contra perdas passam a ser determinantes para a sustentabilidade da atividade.
Serviço
Evento: Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio
Data: 8 de abril de 2026
Local: sede da Confederação Nacional de Municípios (CNM), em Brasília (DF)
Inscrições e outras informações clique aqui
Fonte: Pensar Agro
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