CUIABÁ
Lei de Ranalli permite retirada de pichações ligadas ao crime organizado
Uma lei de autoria do vereador policial federal Rafael Ranalli (PL) foi sancionada pela Prefeitura de Cuiabá e coloca no centro do debate o avanço da influência do crime organizado na capital. A norma cria diretrizes para o enfrentamento de símbolos, inscrições e sinais que façam referência a facções criminosas em espaços públicos do município.
A proposta mira diretamente pichações e marcações espalhadas em muros, prédios públicos, escolas e outros pontos da cidade que, segundo a leitura defendida pelo grupo político de Ranalli(PL), funcionam como demonstração de poder, intimidação e domínio territorial por parte das organizações criminosas.
Com a sanção, a prefeitura passa a ter respaldo legal para intensificar a retirada dessas referências visuais e adotar medidas de contenção contra o que a gestão trata como expansão da cultura do crime em Cuiabá. A avaliação é de que essas mensagens não representam apenas vandalismo urbano, mas uma forma silenciosa de imposição de medo em comunidades onde o poder público muitas vezes chega tarde.
Durante a discussão da medida, o prefeito Abilio Brunini (PL) afirmou que a legislação permite avançar no combate a pichações usadas por facções para demarcar território. A gestão também indicou que deve discutir estrutura e recursos para colocar a iniciativa em prática nos bairros da capital.
Um dos pontos previstos é o uso de mão de obra prisional em ações de remoção dessas marcações, dentro de programas já existentes de serviços urbanos. A aposta é limpar áreas atingidas e evitar que símbolos ligados ao crime organizado permaneçam visíveis e se tornem parte da paisagem cotidiana da cidade.
A lei ainda prevê ações educativas nas escolas municipais com foco em cidadania, legalidade e prevenção ao envolvimento de jovens com a criminalidade. Também abre espaço para o incentivo ao uso de tecnologias de monitoramento capazes de identificar sinais e referências associados a grupos criminosos.
Autor da proposta, Ranalli (PL) sustenta que o objetivo é ampliar a capacidade de reação do município diante da presença de facções no ambiente urbano. A defesa feita por ele é de que a prefeitura tenha meios legais para agir tanto na remoção do que já foi pichado quanto na prevenção de novas marcações em espaços públicos.
A sanção da norma reforça a tentativa de transformar o enfrentamento à influência do crime organizado em uma bandeira política e administrativa em Cuiabá. Mais do que apagar tinta de muro, a medida implementa a ideia de retomada simbólica do espaço público diante do avanço de códigos que, para muitos moradores, já deixaram de ser detalhes e passaram a representar ameaça.
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