AGRICULTURA
Tarifaço dos EUA ameaça entrar em vigor na sexta com produtos do agronegócio na mira
A semana começa com grande expectativa. A partir da próxima sexta-feira (1º.08), produtos agrícolas brasileiros que entram no mercado dos Estados Unidos podem ser taxados em até 50%. A medida, anunciada como parte de uma política protecionista americana, atinge diretamente setores como carnes, café, suco de laranja e frutas — e pode paralisar parte das exportações do agro.
A reação do governo brasileiro ainda está em construção. Autoridades trabalham nos bastidores para tentar adiar a entrada em vigor da tarifa, mas até agora não houve sucesso. Uma das poucas cartas na manga seria uma retaliação com base na Lei de Reciprocidade, que permite suspender patentes de empresas americanas em setores estratégicos, como sementes e defensivos agrícolas. A ideia divide opiniões dentro do governo e enfrenta resistência do setor privado, que teme prejuízos em médio e longo prazo.
Impactos para o produtor
Se as tarifas forem mantidas, os efeitos devem aparecer rapidamente no campo:
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Exportações em risco: carnes, frutas e café podem perder competitividade nos Estados Unidos, um dos principais compradores desses produtos.
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Queda de preços internos: com dificuldades para vender lá fora, o excesso de produto no mercado interno pode derrubar preços pagos ao produtor.
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Alta nos custos: uma possível retaliação pode encarecer defensivos e sementes importadas, afetando a próxima safra.
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Insegurança no planejamento: a falta de definição atrapalha decisões sobre venda, armazenamento e compras futuras de insumos.
Produtores pedem trégua
O setor produtivo tem pressionado o governo por uma negociação imediata. A principal demanda é um prazo de 90 dias antes da cobrança das novas tarifas, para que haja tempo de diálogo. Até agora, no entanto, os americanos não deram sinal de recuo. Também há críticas à falta de interlocução direta entre os governos, o que deixa o Brasil em desvantagem no processo.
Do outro lado, importadores nos Estados Unidos também tentam barrar a medida na Justiça, mas o processo é lento, e ainda não há garantia de que as tarifas serão derrubadas a tempo.
Lição de 2014
O Brasil já enfrentou situação parecida no passado. Em 2014, durante uma disputa envolvendo o algodão, a ameaça de suspender patentes ajudou a forçar um acordo com os EUA, que acabou compensando os produtores brasileiros. Agora, a história pode se repetir — mas com riscos maiores, inclusive para a imagem internacional do país.
Fonte: Pensar Agro
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