POLÍTICA
Entidades denunciam redução da distribuição de alimentos em Gaza
A comparação foi feita entre a quantidade atual e a que existia durante o período de cessar-fogo. Segundo informam, a diminuição gerou a concentração de 2 milhões de pessoas em locais de aglomeração insalubre e forte militarização.
Na carta, intitulada Fome extrema ou tiroteio, as entidades ressaltam que, em menos de um mês, mais de 500 palestinos foram assassinados e 4 mil ficaram feridos quando tentavam obter alimento. As organizações destacam, ainda, que militares israelenses e grupos armados têm aberto fogo, respaldados por autoridades de Israel, contra civis desesperados, que arriscam suas vidas para buscam sobreviver.
O cenário, acrescentam, é de promoção da fome, da inanição e da sede como arma de aniquilamento do povo palestino, deslocamentos forçados e profunda desumanização. As entidades pedem o fim da chamada Fundação Humanitária de Gaza e do bloqueio do governo israelense à ajuda humanitária e de suprimentos e a retomada de mecanismos como os comandados pela Organização das Nações Unidas (ONU).
“Sob o novo esquema do governo israelense, civis famintos e fragilizados estão sendo forçados a percorrer horas, por áreas perigosas e de conflito ativo, somente para enfrentar competições violentas e caóticas para alcançar cercas, sítios militarizados de distribuição com um único ponto de entrada. Lá, centenas de pessoas são liberadas em meio a locais caóticos para lutar por suprimentos de comida limitados. Essas áreas têm se tornado sítios de sucessivos massacres, em flagrante desrespeito ao direito internacional”, escrevem na carta
Segundo as organizações, muitos estão com o corpo tão fraco a ponto de não terem nem condições para entrar nessa disputa por algo e que outros saem com itens insuficientes para poder cozinhar ou sem água potável.
A carta sublinha, ainda, que o combustível também está se esgotando em Gaza e que já afeta serviços essenciais e, portanto, capazes de salvar vidas, como sistemas de fornecimento de água, frota de ambulâncias, hospitais e padarias.
“Crianças órfãs e responsáveis por elas estão em meio a mortos, com crianças feridas em mais da metade dos ataques contra civis nesses locais. Com o sistema de saúde em Gaza já em colapso, muitas das pessoas baleadas são abandonadas para sangrar até morrer, sozinhas, fora do alcance de ambulâncias e com seu direito a socorro negado”, descrevem.
Em coletiva de imprensa realizada ontem, uma das especialistas que tem falado sobre o genocídio em Gaza, em nome da Anistia Internacional, contou que um palestino afirmou a ela que têm sido tratados como se fossem animais por Israel, que os faz rivalizar por comida quando portões se abrem.
“‘Não alcançam a comida. Quando os portões se abrem, todos correm e perseguem os alimentos. Ninguém nos olha nos olhos’ [relatou ele a ela sobre o comportamento das forças israelenses]”, disse Budour Hassan aos jornalistas. “Isso é, absolutamente, genocídio”, declarou.
Fady Abed, da MedGlobal, organização que trabalha em contextos de crise humanitária, disse que todos os dias sua equipe atende crianças com graves quadros de saúde. Equipes de ajuda humanitária têm lidado com entraves que vão desde o impedimento de entrar em Gaza, como os da Flotilha Liberdade ao cerceamento ao exercício de suas atividades quando já estão lá.
“As mães dizem que não conseguem mais amamentar os recém-nascidos e que não têm mais como alimentar seus filhos adequadamente. Isso não porque não querem, obviamente, mas porque a comida não está disponível ou, quando está, é vendida a preços insanos, que ninguém pode pagar. Os preços de itens básicos estão de cinco, dez, cem vezes maiores do que o praticado anteriormente”, narrou Abed aos veículos de comunicação.
De acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) que analisou dados de novembro de 2023 a abril de 2024, quase 70% das vítimas mortas em Gaza eram crianças e mulheres. Cerca de 80% delas estavam em edifícios residenciais na hora em que foram mortas.
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