FIQUEI SABENDO
Ansiedade de domingo: como identificar e lidar com a angústia do fim de semana
Síndrome de burnout, transtorno de ansiedade e até depressão: quando a sensação comum de domingo passa a ser motivo de preocupação?
O fim de semana demora para chegar e passa voando… muitas vezes, trazendo uma sensação estranha de desconforto, apreensão e até ansiedade. É o seu caso? Esse sentimento pode tratar-se de um fenômeno informalmente conhecido como “ansiedade de domingo” ou “síndrome do domingo à noite“.
O problema é comum, e apresenta causas diversas. Na maioria dos casos, essa apreensão está relacionado à antecipação de demandas e responsabilidades da semana que se inicia, mesmo em meio ao período de descanso.
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Ao portal LeoDias, Michel Haddad, psiquiatra do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, explica que a mente se coloca em estado de alerta e interrompe o descanso. “Psicologicamente, podemos entender como uma forma de ansiedade antecipatória, isto é, o indivíduo não está enfrentando uma ameaça real no presente, mas reage a algo que ainda está por vir”.
A síndrome do domingo à noite
Inicialmente, vale destacar que, apesar do nome comum, a “síndrome do domingo à noite” não é de fato um diagnóstico formal. O especialista explica que o fenômeno não aparece em manuais de classificação como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM-5) e Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão, (CID-10).
Além disso, o desconforto leve e pontual é normal, como explica o psiquatra. É como se fosse uma questão de lógica, onde a grande maioria dos indivíduos preferem o conforto e o lazer do fim de semana às obrigações dos dias úteis.
Haddad ressalta ainda que a insatisfação com o trabalho é um fator relevante, mas não o único. Sobrecarga emocionar e até mesmo conflitos familiares também são causas comuns: “É importante lembrar de que mesmo pessoas satisfeitas profissionalmente podem sentir angústia se não souberem dosar pausas e lazer genuíno.
Como lidar com o problema? Devo procurar ajuda?
Por outro lado, o incômodo intenso, recorrente e capaz de afetar outras áreas da vida, podem indicar problemas como o quadro de burnout, transtorno de ansiedade generalizada (TAG) ou até mesmo depressão, que são previstos nos manuais médicos.
Alguns sinais comuns são:
- Alterações no sono;
- Problema de apetite;
- Queda de produtividade;
- Redução ou falta do prazer em atividades;
- Faltas frequentes no trabalho;
- Irritabilidade persistente;
- Pensamentos negativos.
“Nesses casos, o domingo funciona como um gatilho, mas o problema é mais amplo […] Pode ser hora de buscar apoio especializado”, avalia Haddad.
De acordo com o psiquiatra, há outras estratégias eficazes para enfrentar o problema, em casos mais leves. Entre elas, ele destaca:
- Planejar a semana com antecedência;
- Reservar o domingo para atividades que realmente recarreguem as energias;
- Evitar tarefas pendentes de última hora durante o fim de semana e prezar pelo autocuidado.
“Também ajuda a contornar a sensação realizar uma atividade agradável na segunda-feira como um bom café da manhã ou uma atividade física, o que pode facilitar o cérebro associar o início da semana a algo positivo”, finaliza o especialista do HSPE.
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