POLÍTICA
Vereadora diz no ter obrigao de comprar medicamento bsico
Joao Vieira

A vereadora Michelly Alencar (União) rebateu críticas e defendeu a iniciativa de destinar R$ 1,2 milhões de suas emendas parlamentares para a compra de canetas emagrecedoras a serem disponibilizadas em um programa de saúde e qualidade de vida da Prefeitura de Cuiabá. Ela argumentou que a medida contra a obesidade não se trata de estéticas, mas “permitir uma melhora na saúde de pessoas com obesidade grau 2 e 3”.
“Quando a gente fala em destinar emenda ao Mounjaro, não estamos falando em algo supérfluo. Não é algo que vem para deixar as pessoas bonitas, é doença crônica, que mata. Se um pai ou mãe tem obesidade e isso impede sua locomoção, compromete a renda familiar. Entendam, eu não vou tirar de alguém para colocar em algo. Não é minha obrigação comprar medicamento básico para as Unidades Básicas de Saúde, estou destinando valor para um programa, a saúde”, defendeu.
Michelly ainda pontuou que poderia fazer o uso de suas emendas para quaisquer outros projetos, mas decidiu destinar à compra dos medicamentos por considerar o produto revolucionário e, segundo ela, com menos chances de reganho do peso perdido, como ocorre em pacientes bariátricos. Ela ainda exemplificou que não é um valor que será retirado da compra de insumos como dipirona, losartana, entre outros da rede pública de saúde, cuja responsabilidade de aquisição é da prefeitura.
Em entrevista ao programa Tribuna, da rádio Vila Real FM 98.3, a parlamentar deu detalhes de como deve funcionar a implementação do projeto de combate a obesidade e defendeu a viabilidade do medicamento. Conforme a vereadora, cerca de 300 pessoas com obesidade grau 2 e 3 devem ser contempladas com o medicamento adquirido com os R$ 1,2 milhões de sua emenda. As pessoas que necessitam na medicação passarão por triagem para inclusão no programa. Após a destinação das emendas, fica a cargo da gestão municipal fazer a aquisição do produto e tratar de outros implementos ao projeto. Nas farmácias, cada caneta custa a partir de R$ 1,4 mil e o valor varia conforme a dosagem do produtor.
“É um programa de combate a obesidade e de qualidade de vida. Esse programa terá acompanhamento com profissional de educação física, outro que analisa exames laboratoriais e também acompanhamento nutricional. O Mounjaro vem no pacote de ações que a pessoa vai ter que aderir para estar nessa aplicação das canetas”, argumentou.
Segundo ela, o programa, assim que aderido pelo paciente, consistirá em 4 meses de duração, com aplicação semanal de uma caneta, que será feita por profissional da saúde, ou seja, os pacientes não vão levar para casa o produto.
“Uma pessoa obesa não tem qualidade de vida, mobilidade, tem problemas cardíacos e muitos outros. Cuiabá é a 4ª capital com maior índice de pessoas com sobrepeso. Temos relatório que a cada 5 mortes uma é decorrente de problemas cardíacos por sobrepeso, obesidade não é só estética, é uma doença que mata, não se brinca com obesidade”, alertou.
Conforme Michelly, duas unidades básicas de saúde serão referência no atendimento e terão uma sala específica para esse acompanhamento, onde terá médicos e nutricionistas. Ela ainda informou que a prefeitura avalia quais unidades serão alocadas para os serviços, com possibilidade de ser no Centro de Saúde.
“Hoje o que a gente tem são os profissionais na rede que farão os exames e a aplicação do Monjaro, que é simples, e o mais importante é acompanhamento profissional. Ainda não foi colocado acompanhamento psicológico, mas o prefeito pode colocar se achar viável nesse primeiro momento. Acho que mais que psicólogos e psiquiatras, é viabilizar o projeto”, enfatizou.
Ela ainda garantiu que não haverá possibilidade de pessoas “furarem fila” na adesão ao programa, que será baseado em critérios de avaliação de saúde.
Mounjaro na saúde de Cuiabá
Na última semana, durante sessão ordinária na Câmara Municipal de Cuiabá, a vereadora Michelly Alencar anunciou a destinação de R$ 1,2 milhão em emenda parlamentar para a aquisição do medicamento Mounjaro. O recurso será utilizado na implementação de um programa inédito de combate à obesidade grave, voltado a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital mato-grossense.
A iniciativa conta com o apoio direto do prefeito Abílio Brunini (PL), que relatou os benefícios que ele mesmo teve com o uso do medicamento, incluindo a perda de peso e a melhora em seu quadro clínico. Ele ainda se comprometeu a disponibilizar a estrutura necessária e os profissionais de saúde para colocar o projeto em prática ainda este ano.
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