CIDADES

Defensoria Pública cobra plano emergencial para população em situação de rua em Cuiabá

Published

on


Conteúdo/ODOC – A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso ingressou com uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência para obrigar o Município de Cuiabá a elaborar e implementar um plano emergencial de assistência à população em situação de rua. No processo, ajuizado nesta quarta-feira (4), a instituição afirma que a capital vive uma verdadeira “crise humanitária urbana”, marcada pela omissão do poder público e pela precariedade dos serviços de acolhimento social.

A ação relata que mais de 3 mil pedidos de acolhimento foram negados apenas nos últimos seis meses, por falta de vagas nas unidades públicas. A Defensoria aponta que a estrutura atual é insuficiente, insalubre e, em alguns casos, até perigosa. Durante fiscalizações em centros de acolhimento como o Centro POP e as unidades Manoel Miraglia, Estrada da Guia e Porto, foram constatadas situações alarmantes, como banheiros sem portas, falta de chuveiros, infiltrações, racionamento de água, presença de baratas nas cozinhas, superlotação e risco de atuação de facções criminosas nos arredores .

Além da inadequação estrutural, o relatório indica que o Centro POP — responsável por atender até 400 pessoas por mês — tem apenas uma psicóloga, dois assistentes sociais e um banheiro para todos os usuários. As condições degradantes incluem até mesmo a necessidade de tomar banho com mangueiras ao ar livre.

A Defensoria também destaca que o problema não se limita à falta de abrigo. “Faltam iniciativas que incentivem o desenvolvimento pessoal e profissional dessas pessoas. A ausência dessas ações perpetua o ciclo de exclusão e marginalização”, pontua a ação.

Com base na Política Nacional para a População em Situação de Rua e na Lei nº 14.821/2024, que institui a Política Nacional de Trabalho Digno e Cidadania, a instituição pede que a Justiça obrigue a Prefeitura a:

•           Abrir novas unidades de acolhimento com condições dignas;

•           Reformar e ampliar as unidades existentes;

•           Garantir alimentação adequada, higiene, assistência médica e segurança;

•           Criar mecanismos de inclusão produtiva e acesso a cursos e capacitações;

•           Apresentar um cronograma de ações com prazos e orçamento definido.

A petição classifica o atual cenário como “estado de coisas inconstitucional” e afirma que “a condição de extrema pobreza se converteu, por si só, em fator de risco à vida”.

O processo tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas e tem valor estimado em R$ 10 milhões. Até o momento, a Prefeitura de Cuiabá não apresentou resposta formal à ação.



Fonte: O Documento

Comentários
Continue Reading
Advertisement Enter ad code here

MATO GROSSO

Advertisement Enter ad code here

POLÍCIA

Advertisement Enter ad code here

CIDADES

Advertisement Enter ad code here

POLÍTICA

Advertisement Enter ad code here

SAÚDE

As mais lidas da semana