SAÚDE
Aos 35 anos, mulher tem 2 AVCs e descobre malformação cardíaca
Hoje com 50 anos, Rosana lembra com clareza do dia 1º de fevereiro de 2011. ela trabalhava em uma escola quando começou a sentir forte dor de cabeça e mal-estar. Rosana nem percebeu, mas colegas notaram que ela mancava ao andar.
Causas incomuns que podem causar AVC em jovens
Dissecção arterial: lesão traumática em uma artéria que supre o cérebro, geralmente fruto de um golpe.
Trombofilias: a gestação, as doenças genéticas e também as autoimunes podem levar à formação de trombos que, se chegarem ao cérebro, causam o AVC.
Forame oval patente: uma malformação fetal que cria um buraco no coração e mistura sangue arterial e venoso. Em geral, não causa problemas, mas pode estar associado à embolização.
Vasculites: inflamação dos vasos cerebrais que possui causas diversas, incluindo doenças autoimunes, infecções, medicamentos e outras condições.
Doenças genéticas que provocam AVC e outras alterações neurológicas ou de outros órgãos. Por exemplo, doença de Fabry, RCVL, mutação da COL4A1 e 2, CADASIL, Moyamoya, etc.
Ela decidiu procurar atendimento em um hospital particular próximo. “Não fui bem atendida, a pressão estava muito alta e eu sentia meu braço dormente. Falei para o médico e enfermeira, mas só me deram dipirona. Fiz um raio X e o médico disse que não era nada grave”, lembra.
Ao informar alergia ao anti-inflamatório prescrito, Rosana ouviu do médico que não tinha problema. Assustada, pediu ajuda ao marido da época, saiu do hospital e procurou outro centro de saúde. Lá, os médicos notaram que ela apresentava dificuldades na fala. Após a tomografia, veio o diagnóstico: AVC isquêmico. Rosana foi levada à UTI e permaneceu internada por uma semana.
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Segundo AVC ocorreu durante fisioterapia
Poucos meses depois, em 24 de maio de 2011, Rosana sofreu um segundo AVC. Durante uma sessão de fisioterapia para motoras deixadas pelo primeiro derrame, a profissional que a atendia percebeu que ela não estava bem.
A consultora imobiliária foi levada ao hospital e logo foi internada. Horas depois, foi encontrada desacordada no quarto e encaminhada à UTI.
A recuperação exigiu acompanhamento com neurologista, fisioterapeuta e fonoaudióloga. Rosana teve dificuldades para andar e falar, além de apresentar perda de equilíbrio, agravada quando ela caiu de uma escada em dezembro do mesmo ano e rompeu ligamentos do pé esquerdo.
As sequelas foram físicas e emocionais. Após os dois AVCs, Rosana desenvolveu ansiedade e depressão. “Sentia pânico sempre que tinha dor de cabeça, achando que poderia ser outro AVC”, relata.
“Lido com as sequelas até hoje. Tive depressão e sinto que minha memória não é a mesma. Estudei piano toda infância e adolescência, por exemplo, e depois não conseguia mais tocar. Cheguei a fazer aula de violino com meus filhos por um tempo, mas não consegui me dedicar porque minha coordenação motora não era a mesma, a memória também não. Meu corpo mudou, ganhei muito peso, e o casamento acabou um ano depois disso tudo. Até hoje faço acompanhamento anual com cardiologista e neurologista”, lamenta.
Malformação cardíaca foi descoberta após exame
Na segunda internação, os médicos se surpreenderam. Rosana era jovem, vegetariana, ativa, sem histórico de uso de medicamentos, álcool ou cigarro. A causa do AVC era incerta.
. A malformação cardíaca acontece quando há uma comunicação entre os átrios do coração, que deveria ter se fechado após o nascimento mas permanece aberta. A condição é comum e pode atingir até 20% da população. Em geral, não traz sintomas, mas está associada a AVCs em pessoas jovens.
De acordo com a neurologista vascular Letícia Rebello, representante da Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC), embora exista uma correlação entre as condições, ainda não se sabe exatamente como um problema engatilha o outro.
“Na maioria das pessoas com diagnóstico de FOP, não há quaisquer sintomas ou limitações relacionados à alteração. No entanto, essa correlação existe principalmente na população jovem com história de AVC e sem outros fatores de risco”, afirma a médica.
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Cirurgia feita por cateterismo fechou o FOP
Com o diagnóstico confirmado, os médicos indicaram o fechamento do forame oval patente. Rosana optou por não realizar cirurgia aberta. Foi encaminhada para um especialista em hemodinâmica, que realizou o procedimento por cateterismo femoral, que é feito pela virilha.
Durante a cirurgia, Rosana permaneceu acordada. “Fui orientada a relatar qualquer dor, sensação de calor ou frio durante o uso de contrastes. A perna ficou imobilizada por dois dias e não levei pontos”, conta. A consultora imobiliária recebeu alta após poucos dias e seguiu com acompanhamento periódico.
Ela passou a tomar anticoagulante diariamente e, por prevenção, um medicamento para controlar a pressão. Hoje, realiza exames anuais com cardiologista e neurologista. “Nunca mais fui a mesma. A imunidade caiu. Antes, nem gripe eu tinha”, afirma.
Diagnóstico precoce do AVC
Letícia destaca a importância de reconhecer os sinais do AVC e. “Nem todo hospital está preparado para identificar um AVC em jovens. O diagnóstico rápido faz diferença”, diz.
Ela também ressalta a necessidade de atenção a sintomas como dor de cabeça intensa, dormência em membros e alterações na fala ou equilíbrio. “Muita gente acha que AVC é só em idosos. Não é verdade”, conclui a médica.
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