POLÍTICA
Testemunha muda verso e tenta evitar cassao de prefeito em MT
Prints e áudios podem comprovar que a principal testemunha na ação que ameaça cassar o prefeito de Chapada dos Guimarães, Osmar Froner (União), por suposto abuso de poder econômico, compra de votos e uso de caixa 2 durante a campanha em que foi reeleito no ano passado, mudou o depoimento durante audiência. Tais informações mostram que a testemunha foi quem procurou a ex-vereadora e candidata derrotada, Fabiana Nascimento (PSDB), autora da denúncia contra o seu adversário.
A Gazeta teve acesso aos prints, após a testemunha ter mudado o seu depoimento durante audiência na Justiça eleitoral no último dia 16 de maio, quando alegando que fez a acusação a pedido de Fabiana. Anteriormente, a testemunha, identificada como Rogério, afirmou que teria ocorrido um esquema de compra de votos a R$ 1 mil por família.
Já no novo depoimento, ele citou coação por parte da ex-vereadora, que o teria obrigado a assinar documentos e prestar declarações falsas contra Froner e integrantes da campanha vencedora. “Ela me garantiu que ia me ajudar, porque eu estava passando por uma situação bem complicada. Eu me arrependo amargamente de ter feito isso, se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria”, disse.
Porém, os prints revelam mensagens de Rogério confirmando um suposto esquema de compra de votos. Documentos como comprovantes de transferências bancárias, fichas de eleitores cadastrados e um parecer grafotécnico atestando a autenticidade das assinaturas constam na ação.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) recomendou a quebra do sigilo bancário e telefônico do diretor-geral do Sistema Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Chapada dos Guimarães, Guilherme Henrique de Oliveira Costa, o que foi aceito pela Justiça. A denúncia ainda afirma que uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que tem contratos com a prefeitura -Associação de Gestão e Programas (AGAP) – teria sido utilizada de forma irregular para favorecer candidatos em Chapada dos Guimarães, especialmente, por meio de contratações suspeitas durante o período eleitoral.
Já em outros áudios, um parente de Rogério, encaminha áudios para Fabiana onde relata que carros e pessoas estariam rondando a casa da sua mãe, após a denúncia de Rogério ter sido publicizada. A irmã de Rogério registrou um boletim de ocorrência afirmando que estaria sendo ameaçada por Fabiana agora, e também prestou depoimento e confirmou a versão.
Segundo ela, Fabiana passou a ligar insistentemente, inclusive com ameaças, para que ele prestasse depoimento em Cuiabá. “Ela ligava todos os dias e chegou a ligar dez vezes em um único dia.
Dizia que, se meu irmão não aparecesse, ele seria preso ou até morto”, disse. A ação corre na 34ª Zona Eleitoral, pelo juiz eleitoral Renato José de Almeida Costa Filho, que negou na audiência anular a ação, afirmando que há indícios que precisam ser esclarecidos com a produção de provas.
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