POLÍTICA
Líder de grupo, adolescente se sentia “poderoso” ao incitar automutilação
O adolescente de 15 anos, morador de Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá) e apontado pela Polícia Civil como líder de um grupo suspeito de compartilhar pornografia infantil, praticar ameaças, fazer apologia ao nazismo e promover automutilação entre jovens na internet, afirmou que sentia “poderoso” no mundo cibernético – o completo oposto do que passava na “vida real”. Ele foi alvo da Operação Mão de Ferro 2 e teve um mandado de internação provisória cumprido nesta terça-feira.
Segundo o delegado Gustavo Godoy Alevado, da adjunto da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), o adolescente já havia sido alvo da 1ª fase da operação, deflagrada em agosto de 2024 e também da Operação Discórdia, deflagrada pela Polícia Civil no último mês de abril.
PJC

Em uma conversa com o rapaz, os policiais apuraram que ele sofria bullying na escola. “Ele relatou pra gente o seguinte: ‘Olha, no mundo real, eu sou objeto de bullying, não tenho amigos, ninguém gosta de mim, eu não me relaciono bem com ninguém. Mas na internet, quando eu ‘tô’ por trás ali do celular, usando um nome de usuário, usando o Telegram, o Discord, eu sou ‘o cara’ no ambiente virtual. Eu sou uma pessoa que tem poder’”, conta.
“Então, talvez tenha essa explicação. Ter essa ambição, o poder. O que ele não tem na vida real, ele consegue atuar no mundo digital de uma forma completamente diferente”, salienta o delegado.
Como já informado pelo
, o adolescente é administrador de um grupo no Discord onde foi feita uma transmissão ao vivo para mais de 400 pessoas, mutilando e matando um gato.
O delegado diz ainda que o grupo se inspira em séries, filmes e em coisas que acontecem no exterior. “Esse tipo de grupo é uma epidemia, eles se inspiram muito com o que acontece no exterior, séries e filmes. Isso começou há cerca de um ano”, disse o delegado.
Rede criminosa
As investigações identificaram uma rede de pessoas, com participação de adolescentes, que, de forma articulada, praticava crimes como indução, instigação ou auxílio à automutilação e ao suicídio, perseguição (stalking), ameaças, produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil, apologia ao nazismo e invasão de sistemas informatizados, incluindo acesso não autorizado a bancos de dados públicos.
As práticas criminosas ocorriam principalmente em plataformas como WhatsApp, Telegram e Discord, nas quais os investigados disseminavam conteúdos de violência extrema, estimulavam comportamentos autodestrutivos, realizavam coação psicológica, ameaças e exposição pública de vítimas — em sua maioria, adolescentes — causando danos emocionais e psicológicos severos.
De acordo com Gustavo Godoy Alevado, delegado adjunto da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos, “a Operação Mão de Ferro 2 é resultado de um trabalho investigativo minucioso conduzido pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos da Polícia Civil de Mato Grosso, em parceria com o Ciberlab do Ministério da Justiça. A deflagração da operação é uma resposta firme e coordenada do Estado à violência digital contra crianças e adolescentes.”
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