POLÍTICA
Jaques Wagner diz que IOF é “só” para empresas
O líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse na 6ª feira (30.mai.2025) que o aumento de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) “não tem nada a ver com pessoa física”, é só “para pessoa jurídica”. Em entrevista à rádio Salvador FM, disse que a arrecadação com o imposto “ajuda o governo” a cumprir a meta fiscal.
“Mas, eu entendo que o setor que hoje, no mundo inteiro, ganha mais dinheiro é o financeiro”, afirmou o petista. “Na minha opinião, é melhor taxar banco, taxar superbilionários, do que taxar as pessoas mais simples”. Segundo o senador, o governo estaria fazendo “justiça tributária”.
Jaques foi impreciso ao dizer que o aumento do IOF afetaria só as pessoas jurídicas. Isso porque algumas das medidas atingem também as pessoas físicas.
Dentre os anúncios feitos pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão o encarecimento de compras no cartão internacional –tanto as modalidades de débito e crédito quanto a dos pré-pagos.
O envio de dinheiro de uma conta do Brasil para o exterior e a compra de moeda em espécie também teve o IOF aumentado. Ou seja, um turista brasileiro que queira comprar dólares ou euros pagará uma taxa maior.
Leia um resumo abaixo:
➡️ cartões de crédito e débito internacional, incluindo pré-pagos
➡️ envio de dinheiro de uma conta do Brasil para o exterior
➡️ compra de moeda em espécie
A alta do IOF deve afetar as pessoas físicas também indiretamente. Em ofícios enviados na 5ª feira (29.mai) aos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, o IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) pediu apoio do Congresso para reverter a medida.
Segundo o grupo, que representa 72 empresas do setor, o decreto do governo pode elevar o custo das mercadorias e pressionar a inflação –com risco de queda na atividade econômica e no emprego. Leia as íntegras (PDF – 218 kB, PDF – 218 kB) dos ofícios.
O instituto disse que o custo das operações pode subir de 14,5% a 38,8% com o aumento do IOF.
A ampliação da cobrança encarece as operações usadas pelo varejo para obter capital de giro, ou seja, para manter estoques e abastecer as lojas.
Nessas operações, chamadas risco sacado ou forfait, as empresas vendem direitos de receber pagamentos futuros para bancos ou fundos, antecipando dinheiro para o capital de giro.
Não são operações de crédito, segundo o IDV. Por isso, cobrar imposto nesses casos pode dificultar o funcionamento das empresas, já que elas usam a prática para manter o caixa funcionando.
O imposto também atinge os fornecedores do varejo, que usam o forfait para antecipar capital de giro e manter a produção.
Antes, essas operações tinham alíquota zero ou reduzida. Agora, passariam a ter uma alíquota de até 3,95%. De acordo com as projeções do instituto, isso elevaria o custo total da operação a quase 19% ao ano, somando IOF e Selic, a taxa básica de juros.
O impacto maior será para pequenas e médias empresas, que dependem dessas operações para manter produção e vendas, segundo o IDV. Com mais gastos para financiar a atividade, o preço das mercadorias também sobe, pressionando a inflação, conforme a entidade.
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