POLÍTICA
Ex-deputado e gestores da Metamat são investigados por desvio de R$ 22 mi
O ex-presidente da Companhia Mato-Grossense de Mineração (Metamat), Juliano Jorge Boraczynski, e o ex-deputado estadual e atual diretor-administrativo da autarquia, Wagner Ramos, foram alvos da Operação Poço Sem Fundo, deflagrada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (08). Também foi alvo o diretor-técnico da companhia, Francisco Holanildo Silva Lima.
Montagem

Da esquerda para direita, Juliano Jorge Boraczynsk, Wagner Ramos e Francisco Holanildo Silva Lima
Conforme apurado pelo
, Juliano Jorge comandava a Metamat até 2024. Atualmente, ele atua na Assembleia Legislativa de Mato Grosso como Consultor Adjunto de Regularização Fundiária na Secretaria Parlamentar da Mesa Diretora.
Como já publicado, foram cumpridas 226 ordens judiciais contra o grupo, sendo seis empresas e 24 pessoas físicas investigadas. Dentre as pessoas físicas, 16 são servidores ou ex-servidores e oito são empresários.
Os mandados são cumpridos nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Tangará da Serra, sendo 30 mandados de busca e apreensão, sequestro de 49 imóveis e de 79 bens móveis, além de bloqueios bancários de valores das contas dos investigados e das empresas, no valor estimado ao montante do prejuízo gerado. Também são cumpridas outras medidas cautelares, como afastamento de função pública.
A operação, conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), iniciou após denúncia feita pelo Governo de Mato Grosso, e resultou na identificação de um grupo instalado na Metamat, desde o ano de 2020, que fraudava a execução de contratos para perfuração de poços artesianos.
As diligências iniciaram após a Deccor ser acionada e informada das auditorias realizadas pela Controladoria Geral do Estado (CGE), que apontaram prejuízo de pelo menos R$ 22 milhões, em razão de desvio de valores.
O esquema
As investigações resultaram na identificação de uma associação criminosa instalada na Metamat com o propósito de desviar valores em contratos firmados pela estatal entre 2020 e 2023, cujo objetivo seria promover o abastecimento de água em comunidades rurais do Estado de Mato Grosso.
As empresas deveriam construir poços artesianos e garantir distribuição da água para os moradores próximos.
Contudo, as auditorias realizadas pela Controladoria Geral do Estado apontaram inúmeras irregularidades, como poços que não foram encontrados nos locais indicados ou poços que foram perfurados sem condições de armazenamento da água, e até mesmo casos em que os próprios moradores das comunidades rurais improvisavam modo rudimentar para acessar a água do poço.
Foram identificados poços que teriam sido construídos dentro de propriedades particulares, áreas de pastagens e plantações, garimpos e até dentro de uma granja, além de outros em áreas urbanas, em completo desvio ao objetivo de atender comunidades rurais.
Nas auditorias, a Controladoria Geral do Estado identificou que houve diversas falhas durante a execução das obras e fiscalização, que resultaram no pagamento pela perfuração de poços secos ou improdutivos.
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