POLÍTICA
Edifício no centro de SP será revitalizado e receberá o nome de Tebas
Joaquim era um escravizado que atuava em diversos projetos de construção nas últimas décadas do século 18, na cidade de São Paulo. Ele usava técnicas aprendidas com o seu dono, o mestre pedreiro português Bento de Oliveira Lima.
Na obra do Chafariz da Misericórdia, localizado no terreno do prédio que será revitalizado, Joaquim atuou como engenheiro hidráulico. Em decorrência desta obra recebeu o apelido de Tebas, que significa algo como “homem que tudo faz”, em kimbundu, língua africana.
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São Paulo (SP), 21/05/2025 – Joaquim Pinto de Oliveira, Tebas, foi autor do primeiro chafariz público da cidade, construído justamente ali, no Largo da Misericórdia. Foto: Cadu Pinotti/Agência Brasil
Com o novo nome, o Edifício Tebas será destinado a moradias, com 43 apartamentos. A prefeitura arcará com o financiamento de 15% da obra, com uma das unidades destinada ao aluguel social.
Além das moradias, o prédio também contará com um restaurante com foco em alimentos orgânicos e um espaço multiuso com deck aberto ao público, voltado para o calçadão do centro.
Apesar de sua importância, com décadas atuando em obras na capital, o reconhecimento oficial como arquiteto só veio mais de dois séculos depois, em 2018, após documentos localizados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) comprovarem a autoria de suas obras.
Em 2020 a Prefeitura de São Paulo inaugurou uma escultura em sua homenagem na Praça Clóvis Bevilácqua, na região da Sé, parte de um programa de valorização e reconhecimento da presença negra na cidade.
Programa de revitalização
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São Paulo (SP), 21/05/2025 – A prefeitura autorizou as obras de retrofit do antigo Edifício Misericórdia, que será transformado em moradia e rebatizado como Edifício Tebas, em homenagem a Joaquim Pinto de Oliveira, o primeiro arquiteto negro do Brasil. Foto: Cadu Pinotti/Agência Brasil
O programa municipal de retrofits tem hoje 23 projetos aprovados, totalizando 2.112 unidades habitacionais. Parte dos empreendimentos será destinada ao uso residencial, sendo um deles para habitação de interesse social) e quatro para uso comercial.
Ao todo, cinco edifícios receberam certificado de Conclusão de Requalificação, documento que atesta a conclusão de obras de retrofits. Existem outros 33 processos em análise. A medida já foi alvo de críticas na Câmara Municipal por ser mais cara que outros projetos anteriores, como os de aluguel social.
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