SAÚDE
Sarampo pode “estragar” sistema imunológico por meses, alertam médicos
De acordo com o infectologista André Bon, do Exame Medicina Diagnóstica, isso ocorre porque a infecção reduz os glóbulos brancos responsáveis pela imunidade celular e humoral, diminuindo tanto as células T quanto as células B.
“Essa redução na imunidade torna o indivíduo infectado mais suscetível a infecções bacterianas e virais, como parainfluenza, adenovírus, estafilococos, estreptococos pneumoniae e até a reativação da tuberculose em pacientes com contato prévio com a doença”, afirma o médico.
O pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que a imunodepressão provocada pelo sarampo tende a durar de três a seis meses.
“Isso é fruto de uma alteração imunológica que o sarampo provoca não só na fase aguda, mas no médio prazo também. Em um período de três a seis meses há um risco maior de adoecimento por outras infecções comparado com quem não teve sarampo”, conta Kfouri.
Surto de sarampo nos EUA
O aumento dos , acendeu um alerta entre as autoridades de saúde.
Elas se preocupam que o vírus volte a circular com mais facilidade em locais onde já havia sido erradicado. Isso poderia acontecer devido às baixas taxas de vacinação contra o sarampo.
Foram registrados aproximadamente 420 casos de sarampo nos EUA entre janeiro e o final de março, muito mais do que o total de 2024 (285).
O novo surto de sarampo nos EUA começou no final de janeiro, no oeste do Texas, e logo chegou a estados vizinhos, como o Novo México.
O Brasil é considerado um país livre do sarampo desde novembro de 2024.
Especialistas apontam ser fundamental que a cobertura vacinal permaneça alta e a vigilância sempre atenta para evitar reaparecimentos de casos no país.
Sintomas do sarampo
Crianças com até 5 anos — especialmente as menores de 1 ano — correm maior risco com a infecção do sarampo. Essa população pode desenvolver formas graves de pneumonia, que podem levar ao óbito. “É uma importante causa de morte em , aponta o infectologista Bon.
A evolução da doença começa com sintomas inespecíficos, como febre, mal-estar, dor no corpo, coriza, tosse e conjuntivite, que podem se confundir com outras doenças. Após dois a sete dias, surgem sinais clássicos, como manchas vermelhas na mucosa da bochecha e céu da boca e manchas vermelhas no corpo.
“As manchas começam na face e se espalham pelo corpo, descendo pelo tronco e pernas. Na maioria dos casos, os sintomas são autolimitados e não há tratamento específico contra o sarampo. A tosse pode persistir por muitas semanas. Em casos graves, podem ocorrer pneumonia e encefalite, que podem levar ao óbito”, conta Bon.
A maioria das pessoas se recupera do sarampo após a fase aguda da infecção, mas o tempo de melhora varia dependendo da evolução do paciente.
Vírus responsável por transmitir o sarampo é um dos mais infecciosos do mundo
Como se proteger contra o sarampo
A vacinação é a principal forma de proteger a população e evitar o óbito de crianças pequenas. A imunização é feita pela vacina tríplice viral, amplamente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Todas as crianças e adultos sem registro de vacinação contra o sarampo devem se vacinar nos postos de saúde”, orienta o infectologista.
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