SAÚDE
Nova rotulagem: brasileiros mudaram hábitos alimentares, dizem estudos
Embora ainda seja recente, a alteração nas embalagens já levou a mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros. Uma pesquisa divulgada neste mês pela Ticket revelou que 58% dos consumidores mudaram hábitos alimentares com a nova rotulagem nutricional, 28% continuam comprando os mesmos alimentos e 14% afirmaram não ter percebido as alterações.
O estudo feito com 350 pessoas chegou a resultados semelhantes aos de uma pesquisa divulgada em março do ano passado pela Bain & Company. Após ouvir 1,9 mil indivíduos, os resultados indicaram que 46% dos consumidores, após perceberem os selos, desistiram de comprar o produto ou reduziram seu consumo.
Ainda não há um balanço do governo sobre os , mas outros países que adotaram métodos semelhantes (do tipo semi-interpretativo, com modelos de alerta), como Israel, Uruguai, Canadá e México, tiveram reduções parecidas nos hábitos de compra.
descobriu que 72% dos consumidores pesquisados consideraram os rótulos de advertência nutricional úteis na tomada de decisões sobre a compra de alimentos.
Entendendo a rotulagem
As embalagens no Brasil foram modificadas pela para tornar mais claras as informações nutricionais nos produtos alimentícios, alertando sobre os altos teores de gordura saturada, açúcar e sódio, comuns em alimentos ultraprocessados.
A principal alteração é a adição de uma lupa preta com a indicação “alto em”, que aparece na parte frontal das embalagens. Apresentam o selo de alto em açúcar todos os alimentos sólidos com mais de 15 g a cada 100 g de açúcar adicionado. Para a gordura saturada, são necessárias mais que 6 g a cada 100 g e no sódio, 600 mg. Os produtos líquidos precisam da metade dos valores dos sólidos para receber os selos.
Juntamente com essa modificação, a tabela nutricional dos alimentos passou a incluir uma terceira coluna, detalhando o valor nutricional para uma porção padrão de 100 g ou de 100 ml, para evitar as porções reduzidas que algumas empresas usavam para tentar enganar os consumidores. Essas mudanças visam aumentar a transparência e facilitar as escolhas alimentares.
Avanços na alimentação saudável
A nutricionista Ana Carolina Vasques, professora da Unicamp, afirma que a nova rotulagem representa um grande avanço. “Ela faz um alerta ao trazer de cara a informação sem que a pessoa precise decifrar a lista de ingredientes. Com estes rótulos, 80% dos alimentos ultraprocessados ficam de frente para nós e não nos enganam mais. Além disso, temos exemplos de sucesso em pesquisas sobre a rotulagem em outros países. No Chile, o consumo de bebidas açucaradas caiu 20% com este uso. Ela realmente instrumentaliza a população”, indica.
Esses números refletem a crescente consciência dos consumidores sobre o impacto dos alimentos em sua saúde, o que leva a um comportamento de consumo mais criterioso. No entanto, especialistas destacam que o processo de mudança é gradual e que a educação alimentar ainda desempenha um papel importante.
Indo além da lupa
A lista de ingredientes de muitos produtos continua sendo um campo confuso para muitos consumidores. Açúcares adicionados, por exemplo, podem ser listados sob diferentes nomes, como mel, melaço ou maltodextrina, o que dificulta a identificação de produtos com alto teor de açúcar.
Por isso, os especialistas recomendam que, além dos rótulos frontais, os consumidores se atentem também à lista completa de ingredientes para garantir uma escolha mais saudável. “Quanto mais informação os consumidores têm, mais fácil é fazer escolhas inteligentes e optar por produtos saudáveis, o que pode ajudar a evitar e reduzir índices de doenças, como diabetes e hipertensão”, explica o nutricionista clínico e esportivo Dereck Oak.
Embora as mudanças no comportamento dos consumidores ainda sejam iniciais, os especialistas concordam que a transparência nos rótulos nutricionais é um passo importante para uma alimentação mais saudável e consciente. O desafio agora é garantir que todas as partes envolvidas, desde os consumidores até os fabricantes, compreendam a importância de continuar esse processo de mudança.
“A rotulagem contempla ali três aspectos que são, sim, preocupantes para a nutrição, mas há uma infinidade de corantes, conservantes e outros produtos adicionados aos alimentos ultraprocessados que são potencialmente perigosos para a saúde e que só aparecem nas letras miúdas. Por isso, nossa indicação é sempre optar pela alimentação mais natural ou minimamente processada possível”, conclui Ana Carolina.
Siga a editoria de e no e fique por dentro de tudo sobre o assunto!
-
ESPORTES2 dias agoSeleção Brasileira define numeração dos jogadores para a Copa de 2026
-
POLÍTICA6 dias agoComissão ouve ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, sobre planejamento da pasta
-
VÁRZEA GRANDE6 dias agoMordida de cachorro: saiba quando é necessário tomar vacina antirrábica
-
ESPORTES13 horas agoBrasil goleia o Panamá no Maracanã e se despede da torcida antes da Copa de 2026
-
FIQUEI SABENDO6 dias agoEm dias de descanso, Paolla Oliveira curte praia em viagem pela Itália: ‘Ciao, bella’
-
POLÍCIA13 horas agoPM prende dois homens por tráfico de drogas e apreende mais de R$ 2 mil
-
POLÍCIA12 horas agoAção integrada apreende 89 quilos de entorpecentes diversos em Bom Jesus do Araguaia
-
GERAL6 dias agoComissão analisa parecer sobre a PEC que propõe fim da escala 6×1; assista

