POLÍTICA

Mataram um pedaço de mim, diz mãe de morador de rua executado em Cuiabá

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Iracema Alves, mãe de Ney Müller Alves Pereira, disse estar com coração partido após a morte do filho e pediu justiça pelo homicídio. O crime aconteceu na noite de quarta-feira (09). O procurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Luiz Eduardo Figueiredo Rocha e Silva, foi preso em flagrante nessa quinta-feira (10).

Montagem: TV Vila Real/Reprodução

Iracema Alves e Ney M�ller Alves Pereira

Em entrevista ao programa Cadeia Neles, da TV Vila Real, na manhã desta sexta-feira (11), Iracema afirmou que não acreditou que o filho havia sido morto por um procurador da ALMT. “Não acreditei no momento que vi as fotos. Não acreditei que um procurador da Assembleia Legislativa que tinha matado meu filho. Quando vi o vídeo, não acreditei que ele era capaz de fazer uma coisa dessas que ele fez”, lamenta.

“Meu coração está partido. Não foi só ele que mataram, foi um pedaço de mim também”, completa.

Iracema clamou por justiça pelo filho. O procurador vai passar por audiência de custódia nesta sexta. “Quero que pague pelo que fez, que a Justiça seja verdadeira e que sinta o coração dessa mãe que está partido. Ele não deveria ter feito isso, porque se alguém fizer com o filho dele, ele vai sofrer também”, disse.

Não queremos vingança, queremos justiça. Isso não pode ser mais um número da estatística


David Alves, irmão da vítima

Ainda na entrevista, a mulher revelou que Ney tinha problemas mentais, mas fazia tratamento desde os 4 anos de idade. “Foi ficando adulto, passou por internações, mas quando estava em crise, saia andando na rua, Muitas vezes eu fui atrás, meus filhos, a gente procurava para trazê-lo pra casa, para interná-lo. Internamos muitas vezes em vários hospitais. Essa era nossa trajetória com meu filho”, conta.

“Mas alguns tempos atrás ele desistiu do tratamento e fugiu do Adauto Botelho. Foi para São Paulo, onde começou a usar entorpecentes. Quando estava tomando a medicação certinha, era um menino que parecia ser normal. Era um filho amoroso”, diz.

David Alves, irmão de Ney, também pediu por justiça. Ele não quer que a morte do irmão seja “mais uma”. “Não queremos vingança, queremos justiça. Isso não pode ser mais um número da estatística”, dispara.

“Só porque era um morador de rua, um qualquer, uma pessoa que não tem valor algum para a sociedade. Não, era uma vida e uma vida não pode ser ceifada dessa forma”, completa.

Crime pode ter sido premeditado

O delegado Edison Pick acredita que o crime foi premeditado. Em depoimento, o procurador afirmou que estava jantando com a família em um restaurante de um posto de combustível, momentos antes do crime, quando a vítima teria, supostamente, depredado alguns veículos. O suspeito chegou a levar a família em casa e teria ido ao Batalhão da PM do Boa Esperança.

Após relatar os fatos à polícia, estava voltando para casa e encontrou a vítima no caminho. “Ele já chegou com os vidros abaixados, tanto do motorista como do lado passageiro. Quando ele chega próximo à vítima, ele chama a vítima, a vítima vem e aí ele efetua o movimento de empunhar a arma e efetua o disparo”, afirmou.

Luiz Eduardo e Ney Muller não se conheciam. Ainda segundo o depoimento, o procurador não teria visto quem depredou seu veículo e acredita que foi Ney pelas características que foram passadas a ele no posto de combustível.  “Falaram [para ele] que era uma pessoa magra, alta, com uma camiseta vermelha e de short. E aí ele viu nas duas oportunidades a mesma pessoa, com as mesmas características”, explicou.

O crime

Ney Muller foi morto com um tiro no rosto, na Avenida Edgar Vieira, próximo a UFMT, no bairro Boa Esperança. De acordo com a Polícia Miltar, estudantes da universidade testemunharam o assassinato. 

Por meio de relato, os acadêmicos disseram que Ney estava caminhando, quando uma caminhonete Land Rover preta parou, o motorista chamou o morador em situação de rua pelo nome e atirou. Em seguida, o suspeito fugiu sentido a Avenida Fernando Corrêa da Costa. 

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada, mas a vítima já não apresentava sinais vitais. 



Fonte: RD NEWS

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