POLÍTICA
Gleisi diz ser “defensável” falar em reduzir penas do 8 de Janeiro
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse nesta 5ª feira (10.abr.2025) que é “defensável” se debater uma possível redução de pena para os envolvidos no 8 de Janeiro dentro do Congresso Nacional. Segundo ela, falta “esclarecimento” a aliados do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que assinaram pelo projeto. Ela é contra, entretanto, anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e generais investigados.
“Falar sobre anistia ou mediação de pena, ou redução de pena, enfim, em relação a algumas pessoas do 8 de Janeiro, eu acho que é plenamente defensável do ponto de vista de muitos parlamentares que estão ali. Talvez a gente até tenha que fazer essa discussão mesmo no Congresso. Agora, o que não pode acontecer é uma anistia daqueles que conduziram o processo do golpe no país”, afirmou em conversa com jornalistas no Palácio da Alvorada.
O requerimento de urgência do PL (projeto de lei) nº 2.858/2022, que anistia os condenados pelos atos extremistas do 8 de Janeiro, é apoiado por 141 deputados de partidos que integram o governo. O abaixo-assinado tem 251 assinaturas. São necessárias 257 para o pedido poder ser pautado em plenário da Câmara.
O fato de um partido integrar a Esplanada lulista não significa que os seus deputados integram automaticamente a base do governo ou votam a favor de pautas de interesse do Planalto.
Segundo Gleisi, o que se dá é a falta de conhecimento dos congressistas que assinaram sobre o fato de o projeto beneficiar também os militares envolvidos e o ex-presidente Bolsonaro.
“Tem muitos [congressistas] que estão até desavisados sobre o conteúdo do projeto. Querem realmente uma mediação com aquelas penas para quem participou daqueles atos de 8 de Janeiro, mas o projeto que está lá, vou repetir aqui, é um projeto que dá anistia ao Bolsonaro e aos generais. Isso não está explicitado”, declarou.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), pressiona para que os partidos que integrem o governo não assinem o requerimento. Afirmou que o líder do MDB na Casa Baixa, Isnaldo Bulhões (AL), está pedindo aos congressistas de sua sigla para que não apoiem a urgência.
“A gente sabe em cada partido quem é bolsonarista e quem não é. O problema não é esse, mas tem gente que não é e está assinando. Claro que o governo vai entender que nenhum partido vai entregar 100%. Mas, na minha avaliação, as coisas estão muito soltas”, afirmou Lindbergh a jornalistas.
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