POLÍTICA

EUA reafirmam reconhecer 2 sexos após caso com Erika Hilton

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Depois de emitir o visto de entrada da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) com o gênero masculino, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília disse que o governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano) só reconhece 2 sexos: o masculino e o feminino. A congressista afirmou nesta 4ª feira (16.abr.2025) que teve sua identidade de gênero negada durante o processo de emissão do documento diplomático para participar de uma conferência acadêmica nos Estados Unidos.

“A Embaixada dos Estados Unidos informa que os registros de visto são confidenciais conforme a lei americana e, por política, não comentamos casos individuais. Ressaltamos também que, de acordo com a Ordem Executiva 14168, é política dos EUA reconhecer 2 sexos, masculino e feminino, considerados imutáveis desde o nascimento”, disse à Agência Brasil.

A Ordem Executiva 14168, emitida por Trump em 20 de janeiro, dia da posse do republicano, exige que os departamentos federais reconheçam o gênero como um binário masculino-feminino imutável e proíbe a autoidentificação de gênero em documentos federais, como passaportes.

A deputada enviou um ofício ao MRE (Ministério das Relações Exteriores) solicitando uma reunião com o ministro Mauro Vieira e o Itamaraty avalia a possibilidade do encontro. Ela informou que também já articula uma ação jurídica internacional contra o governo de Trump.

Documentos reunidos pela equipe da deputada mostram que a embaixada norte-americana em Brasília registrou Erika com o sexo masculino, desconsiderando sua certidão de nascimento retificada e seu passaporte brasileiro que atestam seu gênero feminino.

“É absurdo que o ódio que Donald Trump nutre e estimula contra as pessoas trans tenha esbarrado em uma parlamentar brasileira indo fazer uma missão oficial em nome da Câmara dos Deputados”, disse. Ela é a 1ª deputada federal negra e trans a chegar ao Congresso Nacional.

Erika Hilton integrava missão oficial autorizada pela Câmara e deveria palestrar em 12 de abril no painel Diversidade e Democracia, durante a Brazil Conference at Harvard & MIT 2025, ao lado de outras autoridades brasileiras. Depois do episódio, ela desistiu da viagem.

“É muito grave o que os Estados Unidos têm feito com as pessoas trans que vivem naquele país e quem lá ingressa. É uma política higienista e desumana que além de atingir as pessoas trans também desrespeita a soberania do governo brasileiro em emitir documentos que devem ser respeitados pela comunidade internacional”, disse.

Em 2023, a mesma embaixada havia emitido visto à deputada respeitando sua identidade feminina. Segundo destacou o posicionamento da deputada, a mudança se dá depois do decreto assinado pelo presidente Donald Trump em janeiro de 2025, que não reconhece pessoas trans.

Com informações da Agência Brasil.



Fonte: Só Notícias

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