CIDADES
Cacique Raoni vai pedir para Lula não explorar petróleo na Amazônia
O cacique Raoni Metuktire, líder dos Kayapó, afirmou que irá pedir ao presidente Lula (PT) para que ele não incentive a exploração de petróleo na Amazônia. Raoni é um símbolo global das lutas pelos direitos indígenas e preservação do meio ambiente e, inclusive, representou os povos indígenas na posse do presidente.
“Já fui informado sobre isso [do bloco 59, da Petrobras, no litoral do Amapá] e vou ter a oportunidade de sentar com Lula para discutir o assunto. Vou pedir que ele não encoraje o projeto de exploração de petróleo na Amazônia. Nós já conversamos pessoalmente quando ele assumiu o cargo. Pedi para ele que não repetisse o que fez no passado, quando construiu a barragem de Belo Monte sem nos consultar”, disse.
Metrópoles

A construção da Usina Belo Monte, citada pelo cacique, causou forte impacto ambiental no Pará. O bloco 59 da bacia da Foz do Amazonas é a principal aposta da Petrobras e do governo Lula para manter a produção de petróleo na próxima década. Em 2023, o Ibama negou o primeiro pedido de licença para perfuração no bloco, dando início a um embate entre as áreas ambiental e energética do governo. Recentemente, Lula criticou o “lenga-lenga” do Ibama no licenciamento do bloco e disse que a autarquia parece agir “contra o governo”.
Raoni afirmou que em breve receberá o presidente em seu instituto de defesa das comunidades originárias em Peixoto de Azevedo.
“Agora Lula virá à minha terra e trataremos da demarcação dos territórios indígenas dos nossos parentes que ainda não a obtiveram. Eu vou continuar apoiando Lula para garantir o bem viver dos nossos parentes. Peço aos não indígenas que olhem o que está acontecendo, as consequências da destruição da natureza. Os não indígenas deveriam pensar como nós para manter o equilíbrio climático e para sobrevivermos juntos”, afirmou Raoni.
Estudos feitos no processo de licenciamento do bloco 59, a própria Petrobras admitiu que um vazamento de petróleo na área pode atingir a costa de oito países da América do Sul e Caribe, além da costa do Amapá, estado que junto com o Pará e o Maranhão abriga 75% dos manguezais brasileiros.
A busca por alternativas surge a partir de projeções que apontam para uma queda na demanda por petróleo a partir de 2030. Uma possível exploração na costa amazônica só começaria a fornecer combustível após 2035.
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