POLÍTICA
Defendo a vida, mas não é pauta da minha pasta, diz secretária de Nunes
Por isso, diz, esses temas não devem aparecer de maneira relevante em sua atuação municipal nos próximos anos. Ela ressalta, por outro lado, que nunca vai deixar de ser “uma defensora da vida” e que acredita que a vida “é o primeiro direito humano” e que não pode ser recusado.
Durante a gestão Bolsonaro, a advogada articulou internacionalmente a aproximação do governo federal a movimentos e grupos conservadores.
Ela afirma à reportagem que é muito grata a Bolsonaro, com quem esteve em dezembro e que a parabenizou em ligação telefônica, pelo que o ex-presidente lhe possibilitou “fazer pela família e pela vida mundo afora”.
A nova secretária afirma que sempre soube “dialogar com pluralismo” e nunca foi ideológica, mas “jurídica, antropológica e sociológica” em sua atuação no governo federal.
“Como advogada, realmente defendo a vida como o primeiro direito humano. E também, dentro desse campo, nunca defendi a partir de uma moral religiosa. Às vezes me perguntavam sobre isso, tanto na Secretaria da Família quanto no trabalho que fiz em termos internacionais de defesa da vida. Não venho falar como uma católica praticante. É uma pauta jurídica. Como [a filósofa] Hannah Arendt falaria, é uma pauta humana, de direito humano”, argumenta.
“É nesse sentido que realmente entendo o que a gente está vivendo hoje no país, com assistolia fetal e etc. Eu penso ‘meu Deus, é um ser humano’. Então, se eu for perguntada e abordada, nunca vou negar o que penso. Sou muito transparente, mas vou me ater à minha pauta, que toda essa parte está dentro da Secretaria dos Direitos Humanos. Mas nunca vou negar a defesa que eu tenho pela liberdade, a primeira liberdade de poder nascer”, completa.
A secretária lista acordos de cooperação técnica, acordos econômicos e gestão humana como prioridades de sua gestão na pasta.
“Estou muito empolgada porque São Paulo é uma cidade que cresceu muito nesses quatro anos de gestão e que pode ter acordos de cooperação técnica para intercambiar um ganha-ganha entre as cidades e ao mesmo tempo mostrar o que a cidade tem e aprender também com outros países”, diz.
“Como eu tenho muito contato com consulados e embaixadas, gostaria de poder fazer acordos econômicos e, ao mesmo tempo, essa gestão humana. Queria ontem [quarta-feira, 1º] já conversar com a secretária de direitos humanos e dizer que São Paulo pode ser a cidade mais acolhedora do mundo. Nós temos esse espírito cosmopolita”, acrescenta. “Queríamos também ter um grande trabalho de acolhimento e integração” de imigrantes.
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