POLÍCIA
Influenciadores são soltos, mas têm passaportes apreendidos e posts vetados
Os influenciadores digitais investigados pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon) de Cuiabá, e presos na semana passada na Operação 777, foram colocados em liberdade e devem cumprir medidas cautelares determinadas judicialmente, como não fazer nenhuma divulgação envolvendo jogos ilegais. Eles também estão proibidos de deixar o país – todos devem entregar os seus passaportes para apreensão pela Polícia Civil.
Os influenciadores presos foram: Larissa Mataveli, que possui mais de 7 mil seguidores; Victor Vinicius de Freitas, que tem mais de 38 mil seguidores; Nicolas Guilherme de Freitas, que tem 123 mil seguidores; Gabriel Ferreira Oliveira, que tem 91,5 mil seguidores, e Carlos Henrique Morgado. Os perfis foram desativados pela Polícia quando a operação foi lançada.
Montagem/Rdnews/Instagram

Segundo a Decon, o grupo foi alvo de mandados de prisão temporária (cinco dias) e o descumprimento de qualquer uma das medidas pode acarretar na prisão preventiva. Os investigados promoviam o lançamento e divulgação de jogos de azar online, popularmente conhecidos por “jogo do Tigrinho”, e de rifas ilegais em suas redes sociais.
Entre as outras medidas cautelares determinadas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais da Comarca de Cuiabá, com base na representação da delegacia especializada, as redes sociais dos investigados estão sendo bloqueadas pela empresa Meta, proprietária do Instagram e Facebook.
As ordens judiciais se estendem às mães de três influenciadores, também investigadas pela Decon, pelo crime de lavagem de dinheiro obtido com a promoção das plataformas ilegais.
A Decon orienta que denúncias sobre postagens ilegais e outros crimes relacionados à exploração e a divulgação de jogos de azar ilegais podem ser encaminhadas para a delegacia especializada pelo e-mail decon@pjc.mt.gov.br ou informadas à Polícia Civil pelo telefone 197.
Operação 777
As investigações da Polícia Civil apontaram que quatro influenciadores de Mato Grosso e dois de São Paulo utilizavam suas redes para promover lançamentos diários de novas plataformas de jogos online ilegais, incentivando seus seguidores a apostar pelos vídeos onde eles apareciam ganhando altos valores, em poucos segundos, e com apostas de valor baixo.
Os investigados foram presos temporariamente na semana passada. As prisões tinham 5 dias de duração, ou seja, após esse prazo, eles foram liberados. Contudo, eles devem cumprir as medidas cautelares determinadas pela Justiça.
A Polícia Civil apurou que os influenciadores chegaram a faturar R$ 12,8 milhões, apenas no primeiro semestre deste ano, com a promoção de jogos online ilegais. Eles lançavam plataformas novas, quase diariamente, porque os seguidores logo percebiam que não conseguiam ganhar dinheiro com as apostas nos sites divulgados. Quando os apostadores ganhavam valores maiores, não recebiam o prêmio, o que forçava os influenciadores a promoverem novos jogos para induzir os inscritos a erro.
Além disso, a Polícia Civil apontou indícios de que os investigados publicavam vídeos e imagens jogando versões demonstrativas das plataformas. Essas versões são programadas para que eles sempre ganhassem as apostas, induzindo os seguidores ao erro com a simulação de ganhos de altos valores com apostas falsas.
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