POLÍTICA
Após denunciar colega, vereadora chora e diz que Câmara ‘banalizou’ violência de gênero: “Braços cruzados”
Uma semana após denunciar supostas ameaças atribuídas ao vereador Kleber Feitoza (PSB), a vereadora Rosy Prado (União) chorou durante discurso na tribuna da Câmara Municipal de Várzea Grande, nesta terça-feira (28), e voltou a tratar do caso em plenário.
Abalada, a parlamentar afirmou que tem sido alvo de ataques que ultrapassam o debate político e cobrou posicionamento da Casa diante da repercussão do episódio.
Em fala extensa, Rosy disse que os ataques direcionados a ela não atingem apenas o mandato, mas também sua condição de mulher. “Tenho sido alvo de ataques que não se dirigem às minhas ideias, aos meus projetos e ao meu trabalho, mas à minha condição de mulher. Ataques que tentam desqualificar, silenciar e constranger”, declarou.
Para a vereadora, a Câmara ‘banalizou’ violências de gênero diante de denúncias levantadas inclusive pela prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), contra o presidente do legislativo, Wanderley Cerqueira (MDB), tornando-se comum a prática internamente.
_“Não sou mulher de mimimi, não sou mulher de abaixar a cabeça, sou capacitada para estar aonde estou. É preciso dizer com todas as letras: isso não é normal, isso não é aceitável, isso não pode ser naturalizado”_, afirmou.
Ainda durante a sessão, Rosy elevou o tom e disse que não vai se calar, exigindo providências formais da Casa diante do que classificou como agressões pessoais.
_“Não fui eleita para me calar, fui eleita para representar, para propor, para fiscalizar. Repudio de forma veemente toda e qualquer tentativa de intimidação. Repudio os ataques pessoais, as insinuações, as palavras que ferem e que tentam deslegitimar minha atuação. A política precisa de mais mulheres e, sobretudo, precisa de mais respeito. Eu exijo desta Casa de Leis respeito”_, disse.
O discurso ocorre após Rosy relatar que recebeu mensagens ofensivas atribuídas ao vereador Kleber Feitoza por meio do WhatsApp. Conforme a denúncia apresentada na semana passada, o parlamentar teria enviado áudios no modo “visualização única” com acusações e insinuações envolvendo suposta “mesadinha” e alegações sobre familiares da vereadora em serviços públicos. A parlamentar informou que gravou os áudios em outro aparelho e apresentou requerimento à Mesa Diretora.
Rosy também afirmou que sua equipe jurídica estuda medidas formais, incluindo representação na Comissão de Ética, denúncia ao PSB e medidas criminais junto ao Ministério Público de Mato Grosso, além de ação por danos morais.
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