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Dilogo expe controle de advogado sobre juiz: ‘deferindo tudo kkk’

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Conversas encontradas no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, mostram que ele tinha uma relação suspeita com o juiz Ivan Lúcio Amarante, afastado da 2ª Vara de Vila Rica, nesta quinta-feira (29). As mensagens indicam que o jurista influenciava as decisões do magistrado em troca de dinheiro, em um caso que envolve corrupção, lavagem de dinheiro e quebra da imparcialidade da Justiça.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu um processo disciplinar contra o juiz e decidiu mantê-lo afastado do cargo. Segundo o relatório do ministro Campbell Marques, responsável pelo caso, as conversas provam que Zampieri tinha controle sobre o trabalho do juiz, dizendo a ele quais pedidos deveriam ser aprovados e quais argumentos jurídicos usar. 

Em uma das mensagens, o próprio juiz escreveu: “pode me passar os pedidos”, atendendo a uma orientação do advogado. As investigações também mostraram que o juiz recebeu dinheiro ilegal por meio de laranjas, incluindo sua esposa atual e sua ex-mulher.

Empresas fantasmas, sem funcionários ou movimentação real, teriam repassado R$ 750 mil para a esposa e R$ 208 mil para a ex-mulher. Em junho de 2023, o juiz mandou uma mensagem a Zampieri dizendo estar “em apuros” e falou sobre um contrato, em um contexto que sugere pagamento de propina.

Em agosto do mesmo ano, o juiz vazou informações sigilosas de processos para o advogado e até deu dicas de como formular pedidos para que fossem aprovados. Em uma das mensagens, ele brincou: “o resto, deixa comigo. Kkk”. Depois, cumpriu o combinado e aprovou o pedido, escrevendo: “já determinei que ele mesmo reconsidere, deferindo tudo, doutor kkkkk”.

Outras conversas revelam que Zampieri sabia de decisões antes de serem anunciadas, acompanhava a rotina do juiz e usava a palavra “organizar” como código para pegar dinheiro em espécie e pagar propinas. Em setembro de 2022, o advogado avisou a um cliente que um problema em um processo seria resolvido e marcou um encontro para “ajustar detalhes”. 

Dias depois, pediu R$ 200 mil para atender a uma “solicitação do nosso amigo de Vila Rica” — uma clara referência ao juiz. O CNJ também descobriu que a esposa do juiz, Mara Lúcia Amarante, recebeu R$ 750 mil em depósitos em espécie, mesmo sem ter uma empresa real que justificasse esse dinheiro.

A ex-mulher do juiz também teria repassado R$ 208 mil de forma suspeita. O caso faz parte da Operação Sisamnes, da Polícia Federal, que investiga a venda de decisões judiciais em Mato Grosso.

As investigações começaram com a análise do celular de Zampieri, chamado de “iPhone Bomba”, e levaram ao afastamento de dois desembargadores do TJ-MT, além do próprio juiz Ivan Lúcio, que teve R$ 30 milhões bloqueados.

O esquema envolvia empresas falsas para esconder o pagamento de propinas, com valores que chegam a milhões de reais. O CNJ manteve o juiz afastado e encaminhou o caso para investigação criminal.





Fonte: Folhamax

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