OPINIÃO
Cirurgia robótica: uma revolução no tratamento
A cirurgia robótica deixou de ser apenas uma inovação tecnológica e se tornou, hoje, uma realidade transformadora na urologia oncológica. Essa técnica tem mudado a maneira como tratamos os principais tumores urológicos — especialmente o câncer de próstata e o câncer renal — ao oferecer resultados oncológicos seguros, aliados a uma significativa melhora na qualidade de vida dos pacientes.
O que faz essa abordagem tão especial é sua capacidade de aliar precisão cirúrgica a uma recuperação mais rápida e menos traumática. A visão em alta definição e em 3D, aliada aos movimentos delicados e controlados do robô, permite preservar estruturas fundamentais ao bem-estar do paciente, como os nervos responsáveis pela ereção e os músculos ligados à continência urinária.
No tratamento de câncer de próstata, os benefícios da cirurgia robótica são notáveis. Um estudo brasileiro publicado na European Urology — um dos periódicos mais respeitados da área — avaliou 128 pacientes consecutivos submetidos à prostatectomia radical robótica com técnica de preservação neurovascular e do complexo venoso dorsal. Os resultados foram animadores:
• Continência urinária: 98,4% dos pacientes estavam continentes após 12 meses da cirurgia, e 85,9% já deixaram de usar fraldas logo após a retirada do cateter.
• Função erétil: 86,7% dos homens que tinham potência sexual antes da cirurgia recuperaram a função erétil em até um ano, sendo que 53,1% já apresentavam ereções funcionais com apenas 30 dias de pós-operatório.
Esses dados são mais do que números que observo, quando atendo meus pacientes — eles representam vidas retomando sua normalidade com dignidade. E estão ilustrados em gráficos científicos publicados no artigo citado, que reforçam a credibilidade e o embasamento dos resultados. Sempre que possível, gosto de apresentar essas evidências aos pacientes: isso traz confiança e clareza sobre os caminhos do tratamento.
Além disso, segundo as diretrizes da Associação Europeia de Urologia, a cirurgia robótica também se destaca por apresentar menores taxas de complicações quando comparada às abordagens laparoscópica e aberta. Menor risco de sangramento, menos dor no pós-operatório e menor tempo de internação são pontos que fazem diferença não apenas na recuperação física, mas no emocional do paciente e de sua família.
No câncer renal, a robótica também representa um grande avanço. A nefrectomia parcial robótica permite tratar tumores localizados de forma precisa, mesmo em regiões complexas do rim, com a vantagem de preservar o máximo possível de tecido saudável. Isso reduz o risco de perda funcional renal a longo prazo e torna o tratamento mais seguro e eficaz, especialmente para pacientes que desejam evitar a progressão para insuficiência renal.
Outro diferencial da cirurgia robótica é o respeito ao paciente como um todo: ela oferece recuperação mais rápida, menor uso de analgésicos, menos cicatrizes e um retorno precoce às atividades cotidianas. Tudo isso sem abrir mão da segurança oncológica.
A verdade é que a robótica não substitui o cirurgião — ela o amplia. Ela potencializa nossa capacidade de operar com mais cuidado, com mais controle e, sobretudo, com mais humanidade. Quando tratamos cânceres que afetam diretamente aspectos tão sensíveis como sexualidade, autoestima e funcionalidade, preservar é tão importante quanto curar.
Estamos vivendo uma nova era na urologia. Uma era em que ciência, técnica e sensibilidade andam juntas — e a cirurgia robótica é o símbolo maior dessa transformação.
Rodolfo Garcia Borges é especialista em urologia, uro-oncologia e cirurgia robótica no Hospital de Câncer de Mato Grosso
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