OPINIÃO

Cirurgia robótica: uma revolução no tratamento

Published

on


Rodolfo Garcia Borges

 

A cirurgia robótica deixou de ser apenas uma inovação tecnológica e se tornou, hoje, uma realidade transformadora na urologia oncológica. Essa técnica tem mudado a maneira como tratamos os principais tumores urológicos — especialmente o câncer de próstata e o câncer renal — ao oferecer resultados oncológicos seguros, aliados a uma significativa melhora na qualidade de vida dos pacientes.

O que faz essa abordagem tão especial é sua capacidade de aliar precisão cirúrgica a uma recuperação mais rápida e menos traumática. A visão em alta definição e em 3D, aliada aos movimentos delicados e controlados do robô, permite preservar estruturas fundamentais ao bem-estar do paciente, como os nervos responsáveis pela ereção e os músculos ligados à continência urinária.

No tratamento de câncer de próstata, os benefícios da cirurgia robótica são notáveis. Um estudo brasileiro publicado na European Urology — um dos periódicos mais respeitados da área — avaliou 128 pacientes consecutivos submetidos à prostatectomia radical robótica com técnica de preservação neurovascular e do complexo venoso dorsal. Os resultados foram animadores:

                •             Continência urinária: 98,4% dos pacientes estavam continentes após 12 meses da cirurgia, e 85,9% já deixaram de usar fraldas logo após a retirada do cateter.

                •             Função erétil: 86,7% dos homens que tinham potência sexual antes da cirurgia recuperaram a função erétil em até um ano, sendo que 53,1% já apresentavam ereções funcionais com apenas 30 dias de pós-operatório.

Esses dados são mais do que números que observo, quando atendo meus pacientes — eles representam vidas retomando sua normalidade com dignidade. E estão ilustrados em gráficos científicos publicados no artigo citado, que reforçam a credibilidade e o embasamento dos resultados. Sempre que possível, gosto de apresentar essas evidências aos pacientes: isso traz confiança e clareza sobre os caminhos do tratamento.

Além disso, segundo as diretrizes da Associação Europeia de Urologia, a cirurgia robótica também se destaca por apresentar menores taxas de complicações quando comparada às abordagens laparoscópica e aberta. Menor risco de sangramento, menos dor no pós-operatório e menor tempo de internação são pontos que fazem diferença não apenas na recuperação física, mas no emocional do paciente e de sua família.

No câncer renal, a robótica também representa um grande avanço. A nefrectomia parcial robótica permite tratar tumores localizados de forma precisa, mesmo em regiões complexas do rim, com a vantagem de preservar o máximo possível de tecido saudável. Isso reduz o risco de perda funcional renal a longo prazo e torna o tratamento mais seguro e eficaz, especialmente para pacientes que desejam evitar a progressão para insuficiência renal.

Outro diferencial da cirurgia robótica é o respeito ao paciente como um todo: ela oferece recuperação mais rápida, menor uso de analgésicos, menos cicatrizes e um retorno precoce às atividades cotidianas. Tudo isso sem abrir mão da segurança oncológica.

A verdade é que a robótica não substitui o cirurgião — ela o amplia. Ela potencializa nossa capacidade de operar com mais cuidado, com mais controle e, sobretudo, com mais humanidade. Quando tratamos cânceres que afetam diretamente aspectos tão sensíveis como sexualidade, autoestima e funcionalidade, preservar é tão importante quanto curar.

Estamos vivendo uma nova era na urologia. Uma era em que ciência, técnica e sensibilidade andam juntas — e a cirurgia robótica é o símbolo maior dessa transformação.

Rodolfo Garcia Borges é especialista em urologia, uro-oncologia e cirurgia robótica no Hospital de Câncer de Mato Grosso





Fontee: Folhamax

Comentários
Continue Reading
Advertisement Enter ad code here

MATO GROSSO

Advertisement Enter ad code here

POLÍCIA

Advertisement Enter ad code here

CIDADES

Advertisement Enter ad code here

POLÍTICA

Advertisement Enter ad code here

SAÚDE

As mais lidas da semana